Mostrando postagens com marcador adolescente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adolescente. Mostrar todas as postagens

Resenha de Tinta: A Caça



Livro: A Caça
Autora: M. A. Bennett
Número de Páginas: 240
Ano: 2018

*Parceria Arqueiro*

Greer Macdonald é uma típica londrina de subúrbio. Mora com o pai e os dois amam cinema. Muito mesmo. Aos 16 anos consegue uma bolsa na STAGS – St. Aidan the Great School, a escola mais antiga da Inglaterra e a mais conceituada. A nata da sociedade londrina e do mundo estuda lá.
E Greer está lá.
Sozinha. Uma párea.
E isso faz com que ela se sinta muito só, pois seu pai está longe, na América do Sul, filmando um documentário.
E então ela recebe O Convite.

Resenha de Tinta: Volta para Casa


PARCERIA ARQUEIRO
Ano: 2018

Olá querido leitor!! Estou de volta com mais um presente da Arqueiro para nós!!
Harlan Coben nos brinda com mais um volume do nosso detetive-like mais divertido: Myron Bolitar. Já estavam com saudades dele? Pois eu estava!
Volta para casa é o 11° volume da série Myron Bolitar. Pelo nome até me fez imaginar que fosse a conclusão e despedida da série... Será mesmo?

Resenha de Tinta: Meia Guerra

Se eu estranhei finalizar uma trilogia, então vamos continuar finalizando pra ver se ganho o costume... Hehehe

PARCERIA ARQUEIRO

Eu pensava que o mundo tivesse heróis. Mas o mundo é cheio de monstros, irmã Owd. - Em seguida, deu as costas para os mortos, voltando para o Promontório de Bail. - Talvez o máximo que possamos esperar seja ter o mais terrível deles do nosso lado. Pág 181

Resenha de Tinta: Um de nós está mentindo


Autora: Karen M. McManus
Pág: 384
Editora: Galera Record
Ano: 2018

Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta?


Resenha de Tinta: Meio Mundo (Mar Despedaçado - Livro 02)


PARCERIA ARQUEIRO


Esse livro é uma sequência do Meio Rei, livro 01 da série Mar Despedaçado. Disse na outra resenha que não é necessariamente uma sequência, mas sim uma história diferente que se passava no mesmo mundo. Pois bem, me enganei!
No meio da história os personagens se cruzam e se você não conhecer o primeiro livro, vai pegar muitos spoilers; portanto, inicie a leitura deste post por aqui e seja feliz!

Resenha de Tinta: Antes que eu vá

Título: Antes que eu vá
Nota:3/5
Edição:1
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580570595
Ano: 2011
Páginas: 368
Tradutor: Rita Sussekind
Sinopse: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento.
Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha desvenda o mistério que envolve sua morte — descobrindo, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.

Resenha de Tinta: Meio Rei

PARCERIA ARQUEIRO

Autor: Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
ISBN: 8580415616
Páginas: 288
Ano: 2016
Nota: 5/5

 Sinopse: Ganhador do prêmio Locus, Meio rei foi considerado, em 2014, uma das 5 melhores obras de fantasia pelo The Washington Post e um dos 10 melhores livros para jovens pela Time.
Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.
Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.
Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.
Joe Abercrombie nos apresenta um protagonista surpreendente, numa história de percalços e amadurecimento que abre a trilogia Mar Despedaçado. 

Resenha de Tinta: Caiu do céu



DESAFIO ALFABETO LITERÁRIO

Autora: Heidi W. Durrow
Número de páginas: 276
Editora: Leya
ISBN: 8580442710
Ano: 2012
Nota: 3/5

Sinopse: Rachel, filha de uma dinamarquesa com um negro, torna-se a única sobrevivente de uma tragédia familiar, depois de uma fatídica manhã no terraço de um prédio em Chicago. Forçada a se mudar para uma cidade estranha, tendo como tutora sua severa avó afro-americana, Rachel é obrigada a viver, pela primeira vez, em uma comunidade de maioria negra, na qual sua luminosa pele clara, seus extraordinários olhos azuis e sua beleza fazem com que seja alvo de constante atenção, por onde quer que passe. Enquanto cresce nesse ambiente e tenta engolir a dor, ela começa a entender como o mistério e a tragédia de sua mãe podem estar ligados à sua própria e oscilante identidade. Criada até então para pensar em si mesma como branca, agora se espera de Rachel que “aja como negra”. E, nesse meio-tempo, a jovem continua se perguntando por que tem de ser definida por sua pele e que motivo justifica que rótulos digam mais sobre o que ela é, em um mundo que insiste em classificá-la tanto como negra quanto como branca. Caiu do céu é um emocionante e perspicaz retrato de uma jovem bi-racial que precisa lidar com as concepções da sociedade sobre raça e classe.

Resenha de Tinta: A Filha do Pântano


DESAFIO ALFABETO LITERÁRIO

Autora: Franny Billingsley
N. Páginas: 408
ISBN: B01H5NO40G
Editora: Novo Conceito
Ano: 2016
Nota: 4

Sinopse:
Há anos, a jovem Briony Larkin esconde alguns segredos...
Segredos que comprometeram para sempre a saúde mental de sua irmã gêmea, Rose, e que mataram sua madrasta. Mistérios que a impedem de sair de Swampsea.
Consumida pela culpa, Briony só encontra alívio nas profundezas do pântano, cercada pela presença dos Antigos os espíritos que assombram o lugar.
O problema é que só as bruxas podem vê-los, e na sua aldeia elas são condenadas à morte. Por isso, ela vive com medo de que seu segredo seja descoberto, mesmo que ela acredite merecer as piores punições por todo o mal que já fez às pessoas que ama.
A chegada de Eldric faz sua vida mudar, pois ele representa o que ela sempre desejou ser, tudo aquilo que ela teme sentir.
Prender-se à magia ou libertar-se para o amor? Caberá a Briony fazer a decisão mais importante.

Resenha de Tinta: Lexus

Livro cedido pelo autor para resenha.
Edição: 1
Editora: Arwen
ISBN: 9788568255216
Ano: 2015
Páginas: 156
Sinopse: Na cidade de Campos Elíseos, onde todas as condições de vida eram ideais, houve uma catástrofe de proporções inimagináveis. Tomados pelo terror, a verdadeira face da humanidade se revela — fria e cruel.
Bianca, uma adolescente comum, jamais imaginaria que faria parte da história. Jamais iria supor que ela seria a esperança para a cura da raça humana. Numa aventura cheia de perdas e de descobertas, só existe um objetivo: sobreviver.


Lidos no Mês: Maio!



E... lá vai quase meio ano!! Acreditam nisso?!!
Quantos livros já leram? E as metas, estão dando conta?
Eu estou meio a meio... rsrs
Mas vamos ver o que as Meninas de Tinta leram nesse mês!!

Resenha de Tinta: A Terra das Sombras

DESAFIO ALFABETO LITERÁRIO

Série: A Mediadora - Livro 01
Autor: Meg Cabot
Número de páginas: 288
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501068712
Ano: 2010
Nota: 4/5

Sinopse:
Suzannah é uma adolescente aparentemente comum que tem um problema com construções antigas. Não é para menos. Afinal, muitas dessas casas velhas são assombradas. E Suzannah é uma mediadora, uma pessoa capaz de ver e falar com fantasmas para ajudá-los a descansar em paz. É claro que esse dom lhe traz muitos problemas. Mas nem ela poderia saber a gravidade do que encontraria ao mudar-se para Califórnia.

[Resenha de Tinta] O que Há de Estranho em Mim



Desafio Alfabeto Literário - Março

Autora: Gayle Forman
Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580414806
Ano: 2016
Páginas: 224
Nota:3/5
Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. 
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. 
Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

Olá Pessoal,
Nas minhas "passeadas" pela blogsfera literária vi que esse livro estava sendo muito lido e o melhor de tudo bem cotado. Curiosa como sou, quis lê-lo também. Aproveitei que o tema do Desafio Alfabeto Literário era letra "G" pulei a fila e o li.
Querem saber o que achei?
Acompanhem-me na resenha.

#Resenha: 
É "normal" uma menina de 16 anos pintar o cabelo de rosa? E passar as noites fora de casa?
Embora fosse boa aluna é normal essa mesma menina viver "enfurnada" em um apartamento de um cara mais velho, acompanhada de um outro rapaz e uma moça, usuários de droga?
Isso é apenas um ataque de rebeldia adolescente ou um problema psicológico sério?
Para os pais ou melhor o pai, já que ele casou-se de novo após a separação com uma mulher que é denominada pela mocinha "a mostra" as atitudes de Brit são sintomas de desajuste psicológico e por isso, resolvem sem consulta-la ou avisá-la, a internarem em uma clínica.Na verdade, durante uma fictícia viagem, Brit é abandonada na Red Rock, um reformatório, travestido de escola- clínica. 
Lá Brit é diagnosticada com TDO, ou transtorno desafiador opositivo.
"O transtorno desafiador de oposição (TDO) é um transtorno disruptivo, caracterizado por um padrão global de desobediência, desafio e comportamento hostil. Os pacientes discutem excessivamente com adultos, não aceitam responsabilidade por sua má conduta, incomodam deliberadamente os demais, possuem dificuldade em aceitar regras e perdem facilmente o controle se as coisas não seguem a forma que eles desejam."Retirado do site Transtornos.org
Não é mentira que a personagem apresenta vários desses comportamentos, mas será que uma internação seria o necessário?
Na Red Rock, com sua rebeldia, Brit não quer se submeter aos tratamentos pouco "ortodoxos" da instituição ainda mais que o principal tratamento é fazer com que as meninas aceitem suas falhas ou trangressões de modo agressivo. Inflingindo a culpa e castigos as que não se submetem.
Mas como sair desse lugar, não seguindo as regras?  Como fazer com que as pessoas percebam que o lugar que deveria ser de "tratamento" é capaz de prejudicar ainda mais as "pacientes"?
Esse não é o primeiro livro que leio da Gayle, eu li "Se eu ficar" e para "Onde ela foi" e mais uma vez eu senti que faltou um algo a mais. Não que o drama de Brit e das meninas com quem faz amizade, as escondidas claro, não seja emocionante, mas ainda assim, poderia ser mais. Talvez seja pelo final "simples" ou porque quase toda a ação do livro tenha "dado certo".
Depois que Brit é jogada no reformatório, toda a ação fica por conta do seu aprendizado de burlar as regras, do seu envolvimento com Jed, o lider da banda onde ela toca (e que é a causa dela passar as noites fora de casa) e da tentativa das meninas que estão lá, essas sim, por motivos espatafúrdios, tentarem provar o horror que é a instituição.
Recheado com lições de auto-estima e frases de incentivo, é um livro que serve, ao meu ver mais para Pais do que filhos. E até de certo modo me lembrou o filme Bicho de Sete Cabeças, protagonizado por Rodrigo Santoro.


"A culpa é uma grande perda de tempo. Não gaste sua energia com isso. Nem comigo."
É difícil contornar os desvios adolescentes, mas nem sempre esse comportamento é alteração psicológica. 
Muitas vezes como dizem é só uma "fase" mas outras não.
Talvez eu já seja muito "adulta" para esse tipo de livro, porque embora entenda que o que foi feito com Brit tenha sido uma temeridade, não consigo culpar de todo o pai dela. 
Existe uma trama que explica o motivo dele ter a jogado lá. Coisa que poderia ter sido resolvido com uma conversa, mas dentre os motivos dele, e assolado pela culpa de não ter feito mais, ou enxergado além, e iludido, essa foi a maneira que ele encontrou.
Uma maneira não eficaz, mas eficiente o suficiente para que a menina mostrasse o mundo quem era e o que ela queria, não que seja o modo correto.
Acredito que o título deveria ter um ponto de interrogação, porque a grande temática do livro é Brit entender o que há de estranho com ela, e o que ela está fazendo naquele lugar.
" A gente acha que a loucura e a sanidade ficam em lados opostos de um oceano, mas na verdade não passam de ilhas vizinhas"
No fim, é um livro bonito, que mostra a grande diferença de pensamento de adolescentes e adultos, que diálogo sincero entre pais e filhos talvez resolvam mais problemas e que a tarefa de educar não pode ser resolvida de qualquer maneira. Não se pode delegar aos outros, seja pessoas ou instituições a tarefa.
"Os adultos tinham abandonado seu papel, buscando refúgio num casulo de ignorância para depois dizer que os filhos é que eram desajustados. Não dava mais para confiar neles. Não havia mis ninguém para nos orientar, para cuidar da gente."
Adolescentes são questionadores e conflituosos. É necessário paciência e atenção.
No Brasil, Bicho-de-Sete-Cabeças causou fez com que o Congresso Nacional proibísse a contrução de instituições psiquiátricas particulares. Torço para que o livro da Gayle, ao menos chame a atenção para o assunto.
Embora seja um livro protagonizado por adolescentes recomendo o livro para adultos. Mais para pais do que filhos.

"Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeça " 
Bicho  de sete cabeças, Geraldo Azevedo.

Até mais,


[Resenha de Tinta] Estrela da Manhã

7 DIAS, 7 NOMES, 7 MORTES 
Autor: André Vianco
Número de Páginas: 280
Editora: Giz Editorial
Selo: Calíope
Ano Publicação:2015
ISBN: 9788578552626
Nota: 10/10

Sinopse: Rafael, um menino frágil e sensível, sofre a perseguição de um grupo de valentões na escola. Em casa, não encontra apoio da mãe relapsa nem do irmão mais velho. Perdido, tenta encontrar na internet, através da tela de seu smartphone, tutoriais de rituais para reencontrar seu pai morto. Ele acredita que somente algo vindo do além poderá ajudá-lo. O menino é tão persistente que finalmente sua voz é ouvida do outro lado. No entanto, quem responde ao seu chamado não é o pai, mas uma entidade que promete protegê-lo de seus detratores durante sete dias. Rafael só quer ser protegido, por isso entrega à entidade a lista com os nomes dos que o aborreceram. Só quando a primeira pessoa de sua lista morre ele descobre que seu pesadelo está apenas começando.

Resenha:

       Não é novidade que sou fã do Vianco, mas ainda me surpreendo como ele evolui a cada livro! O meu favorito ainda é o primeiro que ele tentou lançar, O Senhor da Chuva, mas desde O Caso Laura que eu vejo uma qualidade na escrita que me enlouquece! Estrela da Manhã não poderia ser diferente. 
       Esse livro trata sobre bullying e depressão. Eu nunca tive contato real com esses temas, mas sei que são difíceis e sofridos. E o André não perdoa os leitores. O bullying que o Rafa sofre não é apenas do Maguila na escola. Em casa sua mãe não liga muito para ele e se seu irmão pudesse o punha para fora de casa. A diretora e a professora o vêem como um garoto problemático e pobre, ou seja, ele não tem nada a oferecer a elas a não ser dor de cabeça. Tudo que ele queria era alguém que o salvasse. Ele até tinha uma amiga muito especial, a Renata, mas o que acontecia ao redor dele era ruim demais. Se ao menos não houvessem as agressões físicas eu imagino que a Renata seria o suficiente para curá-lo. Apesar de não conhecer muito de depressão, parece-me que ele estava nos estágios iniciais ainda. 
       Mas bem, a vida não é simples e o Maguila já estava usando muito os punhos. Rafa pôs na cabeça que o fantasma do pai morto poderia ajudar. Imagina o quanto a criança não estava transtornada!!! Depois de furungar a net toda e usar um tabuleiro Ouja, ele conseguiu um aplicativo para seu Android para ‘comprar’ um demônio de ‘proteção’. Antes de alguém entortar o nariz para o personagem principal chamando-o de inocente ou algo assim, lembre-se do que ele estava sofrendo. NINGUÉM na vida dele (leia-se adulto nenhum) ligava a mínima para o que estava acontecendo. Então um demônio parecia uma boa ideia para assustar aqueles que deveriam tratá-lo melhor. Vejam um pedaço da descrição do demônio:
Estrela da Manhã estava curvado para não tocar seus imensos chifres encaracolados no teto. Ele o olhava, com um sorriso largo e uma cara de bode, dotado de uma boca aberta cheia de pequenos dentes serrilhados que pareciam afiados. Seus olhos de fantasma pareciam duas brasas vivas, ardentes. 
       Agora, para ilustrar quão carente estava o garoto: 
− Eu queria te sentir para te abraçar! Eu sempre quis ter alguém que cuidasse de mim! Estou tão feliz que você veio, Estrela da Manhã!
       Tudo que eu contei até agora está nos primeiros 8 capítulos que o autor disponibilizou online para os fãs. A partir daqui que a ação e o terror realmente começam. Logo de cara a diretora da escola morre e o Estrela da Manhã promete matar todos da lista que o Rafa entregou: a Professora, Maguila e sua mãe, o irmão do Rafa e a sua própria mãe. E agora?! 
       O uso da tecnologia que o André fez é brilhante! Eu adoraria falar muito e muito sobre isso, mas é melhor deixar que vocês possam ler ^^ 
       Leiam e reflitam sobre os temas abordados. Quão desesperados temos que estar para ir atrás de uma solução 'fácil' para os problemas? Porque aterrorizar alguém até esse ponto? Você anda sendo um Maguila ou uma D. Beatriz (a mãe do Maguila)? Você tem certeza que dá atenção aos seus filhos/irmãos/pais? Pense nisso e nunca baixe um aplicativo que dizem invocar demônios apenas porque você acha que vai ser divertido!

[Resenha de Tinta] Zac e Mia

Título Original: Zac & Mia
Autor: A.J Betts
Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637716
Ano: 2015
Páginas: 288
Tradutor: Sylvio Monteiro Deutsch
Nota: 4/5
Sinopse: A última pessoa que Zac esperava encontrar em seu quarto de hospital era uma garota como Mia - bonita, irritante, mal-humorada e com um gosto musical duvidoso.
No mundo real, ele nunca poderia ser amigo de uma pessoa como ela. Mas no hospital as regras são diferentes. Uma batida na parede do seu quarto se transforma em uma amizade surpreendente.Será que Mia precisa de Zac? Será que Zac precisa de Mia? Será que eles precisam tanto um do outro?Contada sob a perspectiva de ambos, Zac e Mia é a história tocante de dois adolescentes comuns em circunstâncias extraordinárias.

Olá Pessoal,
Vou começar essa resenha plagiando um parágrafo de uma resenha da Sandra (se eu não me engano é a de "Apenas um Dia") que diz: - "Confesso. Confesso que não queria ler esse livro...Foi o senso de compromisso que me levou a abri-lo".
Porque é isso. Eu não queria mesmo lê-lo.
Quando recebemos a prévia da Novo Conceito, a Dani fez um pré -resenha fofa e deveria ter sido ela a resenhá-lo, mas por problemas operacionais aqui no blog, o livro acabou ficando comigo.
Querem saber porque rejeitei o livro de imediato e se mudei de ideia?
Vem comigo na resenha que te conto.
#Resenha:
Vou começar dando o spoiler máximo do livro. (Antes que me batam, ele está na sinopse.) Zac e Mia estão doentes. Estão hospitalizados. Se conhecem em função da doença.
Conhecem essa história?Pois é...
Eu sou uma leitora que pode ser chamada de "fases". Quando um tema me chama a atenção, eu procuro saber tudo o que posso sobre ele. Sou praticamente a Luna do "Show da Luna"( se não conhecesse o desenho, clique aqui).

Então quando a "moda" dos sick-books chegou por aqui, eu li praticamente tudo relacionado ao tema. Não posso dizer que li todos, mas afirmo que 70% dos livros de adolescentes doentes ou que sofreram bullying ou que sofreram algum tipo de trauma e foram lançados na época, eu li.
Aí depois que o tema decaiu, esse livro vem parar na na minha mão. E eu pensei: - Sério? Mais um? O que esse livro tem demais que eu não tenha visto?
O segundo motivo de eu ter rejeitado o livro de pronto foi: - "Sem Or!" que capa horrenda. Tudo bem se você gostou, mas esse olho brincando de bem-me-quer me deu aflição. E pode ser que eu não tenha entendido a referência, mas ela não diz nada do livro. Só não posso culpar a Novo Conceito porque é a mesma da versão original.
Mas, "simbora" para o livro que é por causa deles que vocês vieram até aqui e não para ler meus lamentos.
Como a sinopse, eu mesma e Irene já dissemos, o livro fala de dois adolescentes doentes e que irão se encontrar e relacionar por conta de uma doença.
Se não fosse isso, Zac & Mia talvez nunca se encontrassem e/ou se relacionassem. Ele mora em uma fazenda ou um tipo de chácara, tem alguns amigos e um menino "normal". Já Mia é a urbana, descolada, com vários amigos, líder nata.
Zac já está no hospital, em isolamento, tendo companhia sua "intrometida" mãe e contanto os dias para sair dali, quando Mia chega.
Ela é posta no quarto anexo ao dele, de modo que suas cabeceiras ficam coladas, separadas apenas por uma parede.
A chegada de um novo paciente é sempre um motivo de especulação, tanto para a mãe de Zac que adora saber mais sobre os outros e para o próprio Zac que estando trancado sem contato exterior, fica imaginando quem é, o que a pessoa tem, quais o percentual ou nota da pessoa.(em questão de chance de cura/sobrevivência).
"Quando eu era pequeno eu acreditava em Jesus e Papai Noel, combustão espontânea, e no monstro de Loch Ness. Agora eu acredito em ciência, estatísticas e antibióticos."
Só que Mia não é uma paciente boazinha. Logo na chegada ouvem-se gritos, discussões e música alta, além disso irritantes batidas na parede e uma música altíssima de Lady Gaga  que começa a tocar...
Até que um dia, Zac acorda com uma companhia em sua cama! E um pedido de amizade no facebook.
Contrariando as minhas expectativas, eu posso dizer que esse livro me mostrou muito.
Ele não é só "mais" um sick book. Talvez porque a história dele seja quase real.
A autora foi professora para pacientes jovens internados em hospital e usou essa experiência para ambientar o livro, que se passa na cidade de Perth, Austrália. 

A título de curiosidade, essa cidade abriga um dos maiores Institutos de Pesquisa Médica do Mundo, o  Harry Perkins Institute of MedResarch,( se quiser conhecê-lo é só clicar no link) especializado na doença dos nossos protagonistas.


Para compor o livro, a autora usou  o conceito de aceitação e negação de pessoas acometidas com doenças graves.

Não conhecemos Zac no inicio da sua enfermidade, mas alguns flashbacks mostram que não foi fácil para ele aceitar e começar o tratamento. Quando ele aparece no livro, após o transplante de um orgão de um doador alemão, o que  rende o apelido de Helga, ele já está mais que acostumado com o procedimento hospitalar e a corujice de sua mãe.
"O Google me diz tudo o que preciso  saber sobre a morte, exceto o que vem depois."
Falando em mãe, a do Zac é uma figura, mas o comportamento dela é totalmente natural.
Eu, infelizmente, já tive oportunidade de fazer um longo acompanhamento de uma pessoa em hospital, e me reconheci na mãe dele. Porque, depois de um tempo, você é praticamente da "família hospitalar" e isso é também uma forma de te ajudar a "desopilar" da pressão de não poder fazer mais nada, além de acompanhar.
Já Mia, é o paciente novato, aquele que não teve  tempo de  "digerir" a doença e a gravidade dela.
Eu vi algumas pessoas criticando o comportamento da menina, mas eu posso afirmar que ele é completamente normal. Uma pessoa como Mia,mais sendo a "bambambam" e que tem que passar por um procedimento extremamente invasivo e urgente, muitas vezes tem um forte sentimento de não aceitação.
É como na música Via Láctea do Legião Urbana:

Aperte o Play
É esse comportamento "irresponsável" de Mia que os aproxima e que farão eles viverem algumas aventuras que darão suporte a história até a sua conclusão.
Além desse quê de realidade, o livro também conta com a família de Zac, a atitude deles com relação a doença dos dois, o acolhimento e as lições que eles também foram aprendendo ao longo do tempo.
"Eu não sei como ele faz isso, como ele me faz esquecer o relógio e a dor.Às vezes, mesmo que seja apenas por alguns segundos, eu posso esquecer que porcaria a vida é"
Mas, apesar disso tudo não espere um livro depressivo.  A autora soube explorar a irreverência adolescente, o uso da cultura pop, seja na música, games e /ou nas redes sociais, as brincadeiras e a amizade para permear o livro e criar um clima mais ameno em uma situação tocante.
Sobre a conclusão, essa estória é única, estandalone e o final aberto, mas  isso não faz diferença. O real significado do livro é esperança.
É, quem mandou eu achar que já tinha lido de tudo?
Fica aqui mais uma lição!
Recomendo o livro àqueles que já passaram por uma doença grave. Vocês se reconhecerão nos protagonistas. Aos que não passaram mas foram acompanhantes, mesmo que de longe, de pessoas nessa situação, e a todos os fãs de sick book e de livros que te deixem uma lição. Se  você conhece alguém que está passando por uma situação ruim, mesmo que não seja doença, mas algum revés qualquer, indique o livro. É uma ótima leitura.

 Até mais,










[Resenha de Tinta] Tocando as Estrelas

*Parceria Novo Conceito*
Título Original: Famous in Love #1
Autora: Rebecca Serle
Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581637334
Ano: 2015
Páginas: 224
Tradutor: Leonardo Gomes Castilhone
Nota: 4/5
Sinopse: "Quando Paige Townsen deixa de ser uma simples aluna do ensino médio para se tornar uma celebridade, sua vida muda do dia para a noite. Em menos de um mês, ela troca as ruas da sua cidade natal por um set de filmagem no Havaí e agora está conhecendo melhor um dos homens mais sexies do planeta segundo a revista People. Tudo estaria perfeito se o problemático astro Jordan Wilder não fincasse o pé em uma das pontas desse triângulo cinematográfico. E Paige começa a acreditar que a vida, pelo menos para ela, imita a arte."

Olá Pessoal,
Como foram de Réveillon? Antes de começar essa resenha, desejo que 2016 seja um ano de ótimas leituras e que vocês vivam muitas histórias para contar.
Recebi esse livro da Parceria com a Editora Novo Conceito há um tempinho mas como vocês que acompanham o blog sabem, eu tive alguns problemas operacionais (fiquei sem computador durante um tempo) e depois caí em uma ressaca literária enorme. Por isso, essa resenha está um pouquinho atrasada, mas não perdida, porque o livro é uma boa leitura.
Querem saber o que achei?
 "Garota eu vou para Califórnia Havaí. Viver a vida sobre as ondas. Vou ser artista de cinema. O meu destino é ser star."
#Resenha:
A sinopse conta o início da história. Paige Townsen, ou PG como vai ser carinhosamente chamada durante o livro, é uma menina de 17 anos que já fez alguns trabalhos como atriz em sua comunidade mas nada profissional. Até que, por indicação e pressão de seus dois melhores amigos, Jake e Cassandra,  ela inscreve-se na audição para a filmagem de Locked, um filme baseado em um best-seller literário sobre uma jovem que sofre um naufrágio junto com seu namorado e o melhor amigo dele, e acaba indo parar em uma ilha junto com o amigo do namorado, que ela supõe ter morrido. Durante o tempo que passam lá, acabam se envolvendo e descobrindo que o amigo do seu namorado, tem poderes especiais. E eles vão vivendo perdidos e isolados até que seu namorado reaparece.
A família não apoia muito o desejo de PG achando que essa "história de ser atriz" é apenas um passatempo, mas são obrigados a aceitar a escolha dela quando surpreendentemente Paige é escolhida para o papel principal do filme.
Tudo ocorre muito rápido e logo ela se vê morando em Mauí no Hawaí, onde são as gravações do filme.

Sozinha, morando em hotel, com um ritmo de gravações intensos, sua companhia mais constante é o lindo-sexy-perfeito Rainon Deven, seu companheiro de cena. Rainon é o tipo de cara que além de já ter participado de algumas séries famosas, está sempre na mídia e estrela capas de revistas e pôsteres. Aliás a amiga de PG, Cassandra, tem um pôster dele no quarto.
Imagino que a esse altura da resenha vocês estejam pensando: "Ah! é um ya, sobre uma menina "sem graça" que está em um lugar cinematográfico,  apaixona - se pelo "bonitão" e vive tórridas cenas de amor."
Enganaram-se leitores.
Em primeiro plano o foco do livro é nas gravações de Locked. PG é uma boa atriz,mas por algum motivo desconhecido ou vários conhecidos, ela não rende como esperado e toma várias broncas do diretor. E não pense que a vida dela é fácil, ela acorda cedo para maquiagem, sofre no cabeleireiro, treina as falas.
A autora, que já se declarou fã  e seguidora desses ídolos "teens" que despontam em algumas produções, mostra com muita propriedade como a vida de um ator/ atriz não é fácil. O que eu achei muito interessante, porque afinal quem nunca pensou em ser uma estrela de cinema? Mas como qualquer profissão, ela tem desafios, e não é só glamour.
E é assim também que começa seu relacionamento com Rainer, ele é o único que tem a idade próxima dela, ele tem 21, e é quem a ajuda, dá força, mostra a ela como se comportar, como agir. Mas não espere uma paixão arrebatadora, o relacionamento entre eles começa bem devagar e não chega a nenhum ponto "quente".
Aliás, PG é uma graça e um exemplo de adolescente. Ela é centrada, responsável, não comete extravagâncias. Ela está ali realmente para trabalhar.
Então, depois que as coisas começam a se encaixar entre seu inicio de relação com Rainer e as gravações, aparece no set, o problemático e bad boy  mas não menos sexy, Jordan Wilde. Ele fará o papel de namorado da Paige.
O problema é que além dele ser o típico "mau elemento", ele ainda é inimigo de Rainor. Um dia eles foram melhores amigos, mas por desentendimentos pessoais, uma série de sucesso que era protagonizada pelos dois terminou.
Claro que isso abala Paige, porque embora ela não conheça Jordan, ela se sente leal a Rainor. 
O que ela não esperava é que sua atuação com Jordan fosse infinitamente melhor do que com Rainor, a química entre os personagens deles é muito maior do que a da personagem dela com Rainor. Quando ela está atuando com Jordan, ela passa de uma atriz mediana para uma concorrente ao Oscar.
E quando isso passa para a "vida real", Paige terá uma grande questão a resolver.
" Mas isso não importa agora. É como um guarda-chuva no meio de uma tempestade depois que você já está molhado. É exatamente o que você precisa, o que você quer , mas veio tarde demais. "
Claro que o livro não é só isso, como eu já disse, a autora não explora somente o triângulo amoroso, ela realmente mostra os bastidores de Hollywood, e o que é ser alçado ao sucesso imediato, a dificuldade de atuar,  o estar longe dos amigos e da família, ambienta muito bem as cenas no Havaí com descrições paradisíacas, cria um drama familiar sério e claro um romance fofo, um pouco tenso, mas totalmente condizente com a faixa etária.
Tocando as estrelas, não é só um livro sobre mas principalmente para adolescentes. Mesmo com toda a indecisão da personagem, a estória, diferente de alguns outros, não descamba para o lado sexual ou quente. 
Em tempos de livros com uma "pegada hot" ( e isso não é crítica, pois eu gosto do gênero) o livro mostra o amor, ou o inicio dele de forma bem tranquila e por isso é indicado para todas as idades. 
A continuação já saiu nos EUA e eu espero que a Novo Conceito traga logo  para o Brasil, pois seu final é um pouco eletrizante, e eu preciso saber o que acontece depois da "decisão" de Paige. 
O que eu posso dizer sobre o fim é que eu o entendo. Posso não concordar, mas entendo o que ela fez e acho que ela se enrolará um pouco, mas esse também é o motivo da continuação, né?
A série também será adaptada para a telinha, e será dirigida por I.Marlene King, criadora da série Pretty Lie Liars e segundo o site Deadline, ela e Rebecca estão adaptando o roteiro. A transmissão ficará por conta do canal Abc Family e ainda não há previsão de estreia, mas a atriz que viverá Paige, será Bella Torne,que eu acho que é uma boa escolha para o papel.
Indico o livro para quem gosta de romances adolescentes e sobre tudo o que envolve essa faixa etária. Se você quer estimular um adolescente a ler, também pode ser uma ótima opção de presente.
Eu, embora já tenha passado um pouquinho (muito) da faixa etária, gostei bastante do livro.

"...E veja , isso é a coisa que eu não entendi. A coisa que ninguém lhe diz. Que só porque você encontra o amor não significa que ele é seu para manter. O amor nunca pertence a você. Ele pertence ao universo."
Até mais,


[Resenha de Tinta] Fale!

Título Original: Speak!

Autor: Laurie Halse Anderson
Edição: 1
Editora: Valentina
ISBN: 9788565859073
Ano: 2013
Páginas: 248
Tradutor: Flávia Carneiro Anderson

Sinopse: “Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.
E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.
Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?

Olá Pessoal,

A resenha de hoje é sobre um assunto sério e, portanto não terá gracinhas. O tema do livro Fale! é sobre um fato que ocorre todos os dias com milhares de pessoas no mundo.
É uma situação que todos nós devemos conhecer discutir e principalmente criar meios para impedi-la.
Vamos conhecê-la?

#Resenha:

    "Fale! Mudou a minha vida 
me tirou da concha
me fez pensar nas festas
me deu asas, este livro
Eu sussurrei, eu gritei
arregacei as mangas
Eu detesto falar
mas estou tentando
Você fez com que me 
lembrasse de quem sou,
Valeu!"

Melinda Sordino não fala. E não ela não é muda. Apenas não sente vontade de falar. Mas pensa, pensa muito no que aconteceu, no que as outras pessoas diriam se soubessem, e o que aconteceria se ela falasse.
Tudo acontece depois de uma festa em que ela vai com sua atual ex melhor amiga Rachel e seu irmão Jimmy. 
Tecnicamente, Melinda não deveria frequentar festas de veteranos do ensino médio, ela tem apenas 13 anos e está no final do ensino fundamental, mas como Jimmy já é veterano, concorda em levar as meninas para se distraírem. Além do quê, os pais de Melinda estão fora e ela vai mesmo dormir na casa de Rachel...
Porém, aí uma "inocente" diversão transforma-se no caos. Para Melinda, que sem ter outra ideia, liga para polícia, e os para outros participantes da festa, que com a chegada desta, entram em apuros.
Isso a transforma na pária de um colégio que ela sequer começou a estudar. E é assim que o livro começa.
O primeiro capítulo mostra o primeiro dia de aula de Melinda, no novo colégio de Ensino Médio e toda a dinâmica que ocorre em qualquer escola do mundo. Os grupinhos de aluno, os professores que "pegam" no pé, ou que são estranhos ao primeiro contato.
Logo no primeiro dia, Melinda tem uma mostra do que será a atmosfera infernal do Ensino Médio,quando é "agredida" durante o almoço e ai invés de ser acudida, é criticada:

E assim,assistindo junto a protagonista as aulas de Álgebra, Biologia, Espanhol e Artes. Como toda adolescente Melinda cria apelidos diferentes para cada professor como Mister Pescoço, Dona Juba, que demonstram toda sua ojeriza por eles, embora ela só não externe sua opinião. Observamos também que ela sequer presta atenção nas aulas, a não ser em artes.
Em artes, ela encontra o professor Freeman que dá aos alunos um projeto inusitado: Sortear uma palavra dentro de um globo terrestre quebrado, que será seu tema durante todo o ano. A palavra de Melinda é arvore.
É por esse meio, que instintivamente, mesmo sem querer, Melinda começa a se comunicar. Por desenho, ou tentativas de desenho, não palavras.
Os capítulos vão passando, os fatos escolares acontecendo, e vemos Melinda ficar ainda mais retraída, depressiva, mas em meio tudo isso, ela  no inicio, ainda consegue fazer uma "amiga" Halther que é nova no colégio, e como todo adolescente que é integrado a um grupo que antes não conhecia, é também deixada de lado pelos colegas. Não que seja agredida como Melinda, mas ainda assim, abandonada e por isso, a única pessoa que a "aceita" é Melinda. Mas logo Halther começa a se integrar e a esperança da protagonista de fazer uma amizade vai por água a baixo, Halther não deixa de ser mais uma, mesmo que de modo diferente, a abusar de Melinda. 
Depois disso, as notas de Melinda caem, ela não se concentra, não presta a atenção as aulas, a não ser em seu projeto de artes, e entra em cena o conselho educacional e os pais de Melinda. Incapazes de perceber o que está acontecendo, eles apenas a criticam, castigam a menina que vai perdendo cada vez mais a voz e o viço até chegar a um ponto que ela simplesmente desiste. Não vai a escola, fica perambulando por praças e shoppings e até, alheia a tudo e claro, seu desempenho caí. 
Novamente, os pais de Melinda, ainda não percebendo algo errado, já que são centrados apenas nos seus problemas, profissão e dinheiro repreendem a menina. Melinda até tenta focar, volta a assistir as aulas mas é inútil, ela esta cada vez mais perto do fim do poço.
Até que em uma aula com Mr. Pescoço, em que ele faz um comentário extremamente racista, ela vê seu tímido parceiro de bancada, nerd CDF, David Petrakins, a pessoa quem ela nunca achou que levantaria a voz, tomar uma atitude e discordar do professor e mesmo sob ameaça, não abrir mão de sua posição e falar, contando inclusive com a ajuda de seus pais, que tomam atitudes contra o desmando do professor em relação a seu filho.
Nesse momento, Melinda percebe que falar, ou melhor, expressar-se pode ser uma boa ideia, mas infelizmente para a menina isso não dá certo. E ela é mais uma vez criticada e punida.

Assim, Melinda segue sua trajetória, não fala, não é ouvida, seus desenhos mostram algo errado, não é interpretada, não estuda, tira notas baixas, é repreendida, não age, Em um circulo vicioso, que só é interrompido quando ela percebe que se não tomar uma atitude outras pessoas sofrerão como ela. Algumas inclusive, ela descobre que já sofreram, mas como ela se calaram.
No início, como se passou muito tempo, ninguém a escuta, ela é tomada como invejosa, mentirosa e recalcada, o que a faz se retrair, mas quando as circunstâncias podem a levar de volta ao que aconteceu na festa, Melinda não fala, ela grita!
O fim do livro é em aberto e não sabemos o que acontece com Melinda,se ela consegue punir seu principal agressor, se ela retoma as amizades, se os pais tomam ciência do que aconteceu, mas isso não importa, porque uma coisa a gente sabe, agora Melinda vai falar.

Falando do livro em geral, essa edição que a Valentina trouxe para o Brasil, é a edição comemorativa de 10 anos de Fale! que foi originalmente lançado em 1999, uma época que a discussão dos assuntos do livro, abuso e bullying não estavam tão em voga como hoje e que foi um marco na história dos livros infanto-juvenis lançados no EUA.
Fale! Ganhou diversos prêmios e adotado como material paradidático lá fora, o que eu acho que deveria acontecer aqui também.
Essa versão conta com depoimentos de alguns leitores que a autora transformou em poema, de onde saiu o trecho que abre essa  resenha, depoimento da autora sobre o livro,sobre cartas e comentários que recebeu e sobre de onde surgiu a ideia de escrevê-lo. Traz também um guia de discussão que como eu já disse, pode e deve ser usado como um material paradidático e dados sobre abuso no Brasil.
Fora isso, o projeto gráfico do livro é lindo, com sua capa aveludada e de acordo com a história e com a divisão de partes feita pelo registro escolar de Melinda e fazendo analogia ao que será mostrado com a árvore de Melinda.
A principal diferença de Fale! para outros livros do gênero é que sua linguagem é simples, dinâmica e mesmo contando com uma protagonista que não fala, seus pensamentos refletem toda a ironia e pensamentos conflitantes dos adolescentes.
 A autora, Laurie Marie Anderson,que tem outros livros adotados para escola e o excelente Garotas de Vidro, lançado aqui pela Editora Novo Conceito, consegue retratar o dia a dia de qualquer colégio do mundo, chamando a atenção de não só quem passa/passou pelo problema, mas dos pais que muitos vezes, por seus próprios problemas, não conseguem perceber o que acontece com seus filhos, achando que o que supostamente "é da idade", já que a adolescência é um período difícil, pode esconder um problema maior.
Mostra o que acontece, infelizmente, também no ambiente escolar. Onde os professores e o conselho educacional que deveriam estar atentos aos problemas do corpo discente, enxergam apenas a ponta do iceberg, ou melhor explicando, apenas quando os afeta, como no caso do desempenho escolar.
Além disso, a obra ainda faz mesmo quem, nunca pensou no problema, perceber que algumas atitudes do outro, mesmo que por motivos diferentes dos mostrados, podem ser reflexivos de angustias maiores, e mesmo que você não saiba qual, com um pouco de atenção pode ajudá-lo.
Não tenho mais elogio a Fale! a não ser indicá-lo a todas pessoas, adolescentes ou não. Que passaram pelo problema ou não.
Talvez, após a leitura, você consiga escutar o grito silencioso do seu colega ao lado.
Minha única frustração é ter mantido esse livro tanto tempo na estante sem escutá-lo me chamando, ainda bem que agora pude ouvi-lo, não é?
Só para terminar, eu disse que essa resenha não teria gracinha, mas eu não resisto: Não sei se todo mundo sabe, mas Fale! foi filmado em 2003 e lançado com o nome de O Silêncio de Melinda. (A Dani nossa colunista da Telinha de Tinta vai trazer a resenha dele no sábado, não perca!) e a atriz Kristen Stewart faz o papel de Melinda.
Pergunto: Tinha papel mais adequado a atriz do que um de uma personagem que não fala?


Até a próxima,