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Resenha de Tinta: A magia do silêncio


PARCERIA ARQUEIRO

Páginas: 160
Ano: 2018
Sinopse:
Celebrada como uma nova e original voz do budismo, a monja francesa Kankyo Tannier parte de sua rica experiência pessoal para nos mostrar o poder transformador da prática do silêncio.
Escrito com sensibilidade e a dose certa de humor, A magia do silêncio traz dicas, meditações e exercícios práticos para incluir pequenos intervalos de paz na agitação do dia a dia.
Ao fazer essas pausas, os sentidos despertam e voltam a se abrir para as maravilhas escondidas na vida cotidiana.
"Kankyo Tannier apresenta um caminho real para a calma imediata. Após alguns minutos de prática, sua respiração fica mais tranquila e você se sente mais presente (funciona mesmo, nós testamos)." – Cosmopolitan

Resenha:
Você sabe o que é silêncio? Sabe mesmo?
Não basta apenas a ausência de sons, é necessária a própria percepção disso, mas para eu ter essa percepção preciso pensar e se eu estou pensando, minha mente está em atividade, então nesse caso, ainda não consegui chegar lá!! Será mesmo? Complexo, né?
Realmente parece, mas depois da experiência dessa leitura, o silêncio não é algo para ser contemplado como uma utopia, ele simplesmente acontece e, pasmem, pode estar em qualquer lugar! Até nos mais ruidosos!!

[Resenha de Tinta] Mensagem de Uma Mãe Chinesa Desconhecida

Autora: Xinran
Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535918021
Ano: 2011
Páginas: 272
Tradutor: Caroline Chang
Nota:5/5
Sinopse: Em Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida, Xinran aborda com delicadeza um dos aspectos mais cruéis e polêmicos da sociedade chinesa contemporânea, e dá voz às mães que não puderam vivenciar a plena maternidade por terem dado à luz bebês do sexo feminino.







Olá Pessoal,
A resenha de hoje é do livro que escolhi para o Desafio Alfabeto Literário do Mês de Feveiro. Escolhi Xinran, porque esse não é o primeiro livro que leio dela, já li "Os que os Chineses não Comem", onde ela narra os costumes e as condições de vida dos chineses, pricipalmente dos camponeses, após a Revolução Cultural.
Dessa vez, a autora explora o destino das mães e filhas chinesas imersas na politica do filho único e o destino dessas mulheres.
Preparados para se emocionarem?
Então me acompanhem nessa resenha.
#Resenha:
Esse é um livro não ficcional que aborda a Cultura Chinesa e sua politica socialista.
Se você não conhece Xinran, uma pequena apresentação é necessária.
Xinran, nascida em 1958 no Ano do Grande Salto Adiante e tendo vivenciado sua adolescência em plena Revolução Cultural de Mao, se tornou jornalista e radialista, comandando o programa Brisas na Madrugada, onde por meio de cartas que recebia narrava  a vida e a situação de vida dos chineses.
Entre muitas dessas cartas, uma pergunta era reccorente: Porque minha mãe chinesa me abandonou?
Nesse livro ela narra as pesquisas que fez sobre o assunto.
"No final de 2007, o número de crianças orfãs chinesas adotadas no mundo todo chegou a 120 mil. Essas crianças foram levadas para 27 países e quase todas eram meninas.A maior parte dos chineses acha inacreditáveis o número da adoção, assim como acham dificil crer que crianças chinesas tenham encontrados mães e lares em tantos países."
Baseada nesse número e na pergunta fio condutor do livro, Xinran começao livro narrando a situação de uma moça que indo para universidade, acabou  apaixonando-se por um rapaz . mE encontros clandestinos, engravidou. E não sabia. Diferente das culturas ocidentais, sexo na China é tabu. As meninas e mulheres chinesas desconhecem o tema e muitas delas, mesmo nas capitais, não tem ideia de como se "produz" um filho e quais os sintomas da gravidez. A moça teve o bebê. Uma vergonha para a familia. Foi expulsa da casa paterna, não só por ter engravidado "clandestinamente" mas por ter gerado na primeira gravidez uma menina, afinal quem garantiria a sobrevivência da alma dos ancestrais? Só os homens garantem a linhagem e o primeiro filho necessariamente deve ser um homem. Forçada a abandoná-la, até hoje chora a perda de sua filha.
Somado ao desconhecimento, outro fator de abandono de meninas  é  a política do filho único que vigorou na China até inicio de 2016.
Se você pode ter um filho apenas, ele necessariamente deveria ser menino. Ter mais de um filho, significava a perda de emprego, da casa, das rações de comida( A China é uma República Socialista onde tudo provém do Estado) da assistência médica e é impossibilitava os pais de conseguir um outro emprego. Sendo assim, quem gostaria de ter uma menina?
Nas regiões rurais a situação ainda é pior.
"Uma boa mulher deve dar a luz a um menino- toda aldeã casada sabe disso. É não só o dever sagrado como também a mais fervorosa esperança de seus sogros. Então, em alguns vilarejos mais pobres, se a primeira criança é uma menina, o desafortunado bebê é abandonado ou asfixiado logo após o nascimento."
Na China rural, a política do filho único não vigora, porém a distribuição de terra é feita de acordo com o sexo. Os homens ganham o correspondente a um acre de terra. As mulheres apenas 1/16 disso. Porém ao se casar, ela não leva seu acre, o que faz com que a família que a recebe tenha mais uma boca para alimentar. O nascimento de mulheres faz com que a família empobreça.
A autora narrou no livro uma visita que fez a uma aldeia chinesa e se hospedou em uma casa onde uma menina nasceu e morreu. Afogada em um balde de água suja.
Ainda  a o caso dos "Guerrilheiros do Nascimento Extra" uma população flutuante que sem poder entregar suas filhas "extras"aos orfanatos, já que elas não tem certidão de nascimento e sem coragem de assassiná-las, vão deixando as meninas pela cidade, nas estações de trem, em grandes centros urbanos.
"...Sim, foram. Nas estradas ou nas ferrovias, por toda a China, abandonamos nossas filhas, Aquela que a senhora viu foi a quarta.Ela era uma boa menina, e tão bonitinha...Meninas nascem para sofrer. É uma pena que não sejam meninos...Se eu tivesse um filho, eu voltaria direto para casa... estou esperando o dia em que a minha mulher vai acertar..."
Com a frase emblemática "Toda mulher que já teve um bebê sentiu dor, e as mães de menininhas têm o coração cheio de tristeza" Xinran nos mostra um lado feio da China, onde a vida humana só tem valor  e onde ser "alimentício" e ser mulher é o pior castigo que pode ser infringido ao ser humano.
É um livro ao mesmo tempo reflexivo e doloroso. Eu li chorando em diversas partes, seja pelo desespero das mães que entregam ou matam suas filhas,  das que se matam por isso.-O suicídio é a quinta causa de mortes na China e 90% dos casos, é de mulheres, que tiveram meninas. - Seja pelo desespero dessas filhas em saber mais sobre a China e porque, as  sobreviventes  foram retiradas e levadas para quilometros de distância de sua terra natal.
No fim, Xinran não só revela ser uma dessas mães, porque também foi obrigada a se separar de sua filhinha, uma menina que quis adotar. ( Ela tem apenas um filho homem, Pam-pam) como fala da criação da "The Mother's Bridges of Love" que auxilia e ensina a cultura chinesa para  os orfãos espalhados pelos quatro cantos do mundo.
O apêndice é composto de duas cartas de mães adotivas, "agradecendo" as mães chinesas as doações de seus bebês, e relatando que elas são muito amadas, por suas famílias adotivas.
Um livro para ser lido, pensado e sentido.
Indico a todo mundo, principalmente às mulheres. Mães ou filhas.
Até mais, 

                                      





[Resenha de Tinta] Para Continuar

*Parceria Novo Conceito*
Autor: Felipe Colbert
Edição: 1
Editora: Novo Conceito - Selo Novas Páginas
ISBN: 9788581637952
Ano: 2015
Páginas: 224
Nota: 05/05
Sinopse:Envolver-se com a jovem Ayako é a oportunidade perfeita para Leonardo César esquecer a sua vida tediosa e perigosamente limitada, tudo por culpa do seu coração defeituoso.
Enquanto isso, com a ajuda de seu avô, Ayako tem a difícil missão de manter inacessível um porão de dimensões que vão além da loja de luminárias que ela gerencia, repleto de milhares de lanternas orientais, cujo mistério envolve os habitantes do bairro da Liberdade.
A partir dos crescentes encontros entre Leonardo e Ayako, uma nova lanterna surgirá para os dois. Eles terão que protegê-la com afinco, ou tudo que construíram juntos poderá desaparecer a qualquer momento.
O que ninguém conseguiria prever é que Ho, um jovem chinês também apaixonado por Ayako, colocaria em risco o futuro desse objeto. E com ele, o sentimento mais importante que dois seres humanos já experimentaram.

Olá Pessoal,
A resenha de hoje é sobre o novo livro do autor Felipe Colbert, que para quem não sabe é o editor do Selo Novas Páginas da Editora Novo Conceito.

Eu conheci o trabalho do Felipe através de Belleville (se você não leu, tem resenha aqui) e achei a maneira como ele escreve tão encantadora que no lançamento de Para Continuar eu quis muito o livro, solicitei pela parceria com a Novo Conceito e o recebi autografado.
E eis que na Bienal do Rio 2016, surgiu uma nova  oportunidade. Esbarrarei com o Felipe no stand da Novo Conceito que (diga-se de passagem estava lindíssimo) bati um papo com ele e ainda consegui uma foto e "completar" meu autógrafo.


Depois desse prólogo, onde vocês já devem ter percebido como sou fã dele, vamos a resenha do seu último livro.
"Quando o amor acontece, uma lanterna se acende"
Para Continuar nos conta a história de Leonardo César, o Léo, jovem estudante de Design e Ayako, uma jovem descendentes de japoneses que trabalha em uma loja de luminárias na Liberdade.
Um dia, Leonardo está no metrô e vê uma moça com traços orientais que chama sua atenção. Aquela beleza diferente, escondida sob um véu de cabelos negros e uma calma aparente acaba conquistando Leonardo e ele faz de tudo para se aproximar.Tenta um contato, mas como ela está escutando música não o ouve. Chega a estação a menina desce e ele que só conseguiu trocar duas palavras com ela, fica apenas observando ela se afastar.
Poderia ter sido uma paquera eventual, mas a verdade que Leonardo não a esquece, e memorizou tão bem a menina que chega a desenha-lá.
Então, por mais louco que seja, ele começa a percorrer todos os dias as estações do metrô afim de encontrá-la. (Leonardo não usa ainda o Happn) e consegue. Reencontra Ayako, mas como medo de uma aproximação tem a ideia de segui -la pelas ruas da Liberdade até que a vê  entrar em uma loja de luminárias e já sabendo onde encontra-lá, Leonardo começa a se aproximar.
Ayako, é uma jovem de vida simples, que vive no segundo andar da loja de luminárias onde mora com seu Ojiisan(avô) e um rapaz de origem chinesa chamado Ho de quem o Ojiisan é tutor. 
Mas nem tudo é tão comum, Ayako na verdade é uma guardiã de um porão de lanternas orientais que aparecem e desaparecem conforme segue a vida dos moradores da Liberdade.
O maior desejo de Ayako é que uma lanterna apareça para ela e quando Léo surge na sua vida, esse desejo está prestes a se realizar...

Eu não tenho outra palavra para descrever esse livro a não ser "fofo".
Embora eu não tenha falado na introdução, esse livro  de um é do gênero sick lit, já que Leonardo tem um problema cardíaco congênito que limita algumas de ações e que torna a vida do jovem um pouco tediosa, até que encontra Ayako. Mas, diferente dos outros livros do gênero, ele não se resume a isso. É claro, que o autor explorou a doença de Léo e sua condição limitante para compor a estória e o personagem, sua relações com os pais e amigos, tanto que vem daí o peculiar título do livro, mas isso é só uma parte do todo. Não espere que por ser um sick lit, seja um livro choroso ou melancólico. Tenso, em algumas partes, mas não por conta da doença do Léo, mas de acontecimentos que poderão agravá-la.
Ambientado na Liberdade, o famoso bairro oriental de São Paulo, o livro mostra muitas referências a cultura oriental e suas tradições e nos traz também um pouco de magia na criação das lanternas com relação à seu surgimento e desaparecimento.

Juntando isso tudo, Felipe escreveu um livro de linguagem fácil, atual, jovem e que tem  personagem que poderiam ser seus amigos.
Com dois narradores, o próprio Léo nas suas falas e um narrador nas partes de Ayako, a estória vai se sucedendo entre os dois personagem dando uma visão de como suas vidas são diferentes, mas que ao se unirem, acendem uma chama, da qual, eles terão que cuidar a vida toda.
A estória claro, não é só isso. Para manterem essa chama acesa, Ayako e Léo, passarão por algumas dificuldades, criadas por pessoas que também, na verdade, só querem que suas chamas não se extinguam.
Como é costume do autor, nem a doença de Léo, nem a cultura oriental e muito menos a fantasia são "jogados" no livro. A construção de toda a trama e tão bem feita e rica em detalhes, que nenhum leitor se sentirá perdido ao viajar por suas páginas. E eu confesso, que a falta de explicação é um dos motivos que constantemente me fazem abandonar os livros de fantasia. Sou uma leitora que gosta das coisas explicadas e costuradas, coisa que o Felipe faz com perfeição. Tanta que as 224 páginas da trama passaram correndo e quando vi em uma tarde tinha lido o livro.
Depois disso tudo, só posso dizer que mais uma vez, amei um livro do Felipe e mesmo com uma trama um pouco mais "densa" do que Belleville, esse livro me trouxe a sensação de paz e tranquilidade, tão comum aos ensinamentos de origem oriental.
Recomendo o livro a quem gosta de literatura jovem com um romance simples, mas bem orientado. A quem gosta de fantasia "romântica", conhecer novas culturas e a junção disso tudo.
" Também não sei qual o pedido que Ayako enviará para o céu quando nossos bilhetes se desfizerem em cinzas, mas desconfio que tem algo a ver com que nossa lanterna nunca se apague.Só que, creio que se for isso, ela desperdiçou um pedido."
No final,só posso desejar, assim como o Felipe me desejou, uma nova lanterna brilhe em sua vida e que ela não se apague.
Quer criar uma para você? A Novo Conceito criou um site para que você acenda uma lanterna na sua vida. É só acessar esse link.
Nós aqui do Mundo de Tinta criamos uma para vocês, nossos leitores.



Crie a sua!
Até mais,