[Resenha de Tinta] Centúrias


Autor: Bruna Longobucco
Capa: Mel Gama
Número de Páginas: 215
Editora: Novo Século
ISBN: 978-85-7679-303-8
Ano: 2010
Nota: 7/10

Sinopse: “Nem assumindo minha verdadeira natureza eu conseguia libertá-lo. E as outras bruxas não podiam se mover. Parecia que tudo estava perdido. Segurei a chave, tentando resgatar meus poderes, lutando contra o bloqueio negativo que me enredava e ameaçava a vida de Igor. Se houve um tempo em que não acreditei no amor, agora não acreditava na possibilidade de existir sem tê-lo ao meu lado. Havia muito em jogo. A ordem centuriana; a vida das criaturas claras; meu sol. Por isso, eu precisava reagir. Já havíamos passado por tantas coisas e não seria justo que após tantos desencontros fôssemos separados novamente. Repassei os ensinamentos da feiticeira-anciã. A resposta, ela dizia, está dentro de nós. É preciso acreditar na magia. Foi então que percebi: eu não lutava apenas contra os meus inimigos. Lutava contra o peso da realidade e de minhas próprias limitações”.

Resenha:
            O livro é bom, mas poderia ser melhor. A história de Aylá é comovente, a ordem das centurianas é bem estruturada, a ordem de seus inimigos também. Até mesmo aqueles que estão no meio termo são bem definidos. Os dois gatinhos e a coruja que adotam Aylá são uma graça. Mas mesmo assim, a autora precisa aprender a CONTAR a história. Tenho percebido isso em muitos escritores novos (não estou falando de idade!), não vou listar ninguém, mas o fato é que eles não tem experiência de escrita. Não se decidem sobre narrar em 1º ou 3º pessoa. Estou falando de ficar pulando de um para outro sem aviso ou motivo.
“Assim que ela me tocou, parou de queimar. [...]
Eleonora tinha suas dúvidas, porém, não se atrevia a lutar contra a força do destino.”
Veja bem, as partes narradas em 1º pessoa são feitas pela Aylá. Se considerarmos que as partes em 3º pessoa é o discurso indireto livre, como ela poderia saber o que Eleonora tinha pensado???!!! Quem responder com algo diferente de ‘porque a autora quis’ ou qualquer coisa do tipo, ganha um prêmio!
            Mas como eu disse, a autora tem talento. Principalmente para poesia:
“Noite atribulada
De sonhos atormentados
Vago confusa e perdida
Em meio a um tempo nublado
Com medo do que não conheço
Desejando o que ainda não tenho
Esperando o que se chama impossível
Delirando a vida acordada.
Sol de raios frágeis
Desencontrado da sua luz
É como se o calor faltasse em sua própria fonte
E eu vagasse em lugar nem onde.
Se um dia apenas
Pudesse ter meu final feliz
Deixaria a espera do caos
Sairia desta enorme bolha de cristal
Encontraria o espelho pela primeira vez
E alguém diria então
Nasceu!
Não para agora
Mas para o mundo irreal.”
            Sobre o final do livro, tenho algumas considerações, mas acho que é meio SPOILER então só leia se não for contra essa prática.
            Últimas páginas, o amor de Ayla sumido, nós sabemos que foram os inimigos porque vimos a cena do rapto. Ela salva uma criaturinha da natureza que oferece ajuda. Os inimigos declaram guerra na página seguinte. Eu pergunto, o que vai ser crucial para resolver a luta? A autora poderia ter colocado essa criaturinha bem no inicio do livro, não acham? Parecia até que ela percebeu que precisava de um algo a mais para deixar a luta mais emocionante e não sabia como incluir esse elemento.
            Outra coisa, nessa luta morrem muitaS pessoas. Entre elas o prefeito da cidade e sua esposa. Pergunta numero 1: o que as centurianas fizeram com os corpos? Ou vai me dizer que bruxos viram cinzas quando morrem? -.-‘ Pergunta número 2: como ninguém na cidade percebeu o sumiço deles e não achou isso entranho?!
            Fim dos SPOILERS.
            Não posso deixar de falar da capa. Muito linda! E a cena que você nela está no livro! Não vou reproduzir aqui porque é um pouco extensa (já basta a poesia, não é?).
Infelizmente, esse é mais um livro que tinha tudo para ser maravilhoso, porém foi bastante decepcionante... 

Um comentário

  1. Obrigada por ler e comentar "Centúrias", Agatha! Depois de quase um ano fora da rede (precisei abandonar a divulgação do livro em 2011) fiquei super feliz ao encontrar a resenha aqui.
    O estilo de primeira e terceira pessoa veio quando escrevi o livro, sem forçar, naturalmente, mas acho que quase todos os meus romances foram criados com os discursos alternando-se entre o pensamento do personagem e os acontecimentos que o envolvem. Uma mistura entre narrador personagem e onisciente. Essa falta de estilo talvez seja um estilo peculiar de "Centúrias" ou desta nova autora aqui, mas claro, sem a opinião de vocês, os leitores, nenhum livro teria sentido e ficam ótimas dicas para a reedição. Um super beijo!!!

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